- A Clusaga organizou, em conjunto com a Universidade de Vigo, o evento «Net4Food Matching», que teve lugar no dia 28 de maio, em Ourense.
- O evento insere-se no projeto Net4Food, que visa fortalecer o ecossistema alimentar na Eurorregião Galiza-Norte de Portugal através da criação de uma rede de excelência em investigação e inovação.
- O Net4Food é cofinanciado pelo programa Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027 e decorre entre abril de 2023 e dezembro de 2025.
O Campus de Ourense acolheu, no dia 28 de maio, o evento Net4Food Matching: Conectando empresas e investigadores para a inovação alimentar, organizado pelo Clúster Alimentario de Galicia (Clusaga) em colaboração com a Universidade de Vigo (UVigo). Esta jornada teve como objetivo promover oportunidades de colaboração em matéria de I+D+i no setor alimentar, bem como dar a conhecer as capacidades científicas e tecnológicas do Campus de Ourense.
Durante o encontro, Noelia Dosil, coordenadora da Área de Inovação, Transformação Digital e Empreendedorismo da Clusaga, apresentou o sistema de identificação de convocatórias disponível no site da Clusaga, que permite aceder a informações sobre ajudas públicas relacionadas com a inovação, digitalização e sustentabilidade. Além disso, foram divulgadas diversas ajudas à I+D+i relevantes para facilitar a colaboração entre empresas e investigadores.
Modelos de colaboração universidade-empresa
Em seguida, Cristina López Macías, responsável pelo Gabinete de Transferência de Resultados da Investigação (OTRI) do Campus de Ourense, explicou as diferentes fórmulas de colaboração entre a universidade e a empresa, entre as quais se incluem:
- I+D contratada, através de subcontratação em ajudas públicas
- Projetos conjuntos, com financiamento partilhado e cotitularidade dos resultados
- Patrocínio, com fins comerciais ou de imagem
- Mecenas, com contribuições para fins de interesse geral próprios da Universidade
Apresentação das capacidades científicas
O foco do evento foi a visibilidade das capacidades de investigação do Campus de Ourense. Grupos de investigação do Instituto de Agroecologia e Alimentação (IAA) da UVigo apresentaram as suas principais linhas de investigação:
- Food & Health Omics, especializado em técnicas ómicas aplicadas ao setor vitivinícola, oleícola e panificador.
- ByCIAMA – Laboratório de Microbiologia, centrado no controlo da água, microbiologia ambiental e industrial e apicultura. Colaboram com empresas como Coren, Frinsa, Rivadulla, Hijos de Rivera e Komvida.
- EQ4 – Tecnologia dos Alimentos, desenvolve produtos funcionais a partir de subprodutos alimentares e trabalha em análise sensorial, caracterização microbiológica e melhoria tecnológica dos alimentos.
- BIO2VAL – Biorrefinaria e Valorização da Biomassa, que cria ingredientes funcionais a partir de subprodutos locais através de processos sustentáveis.
- Laboratório de Bioquímica, especializado no estudo da atividade enzimática e na produção de ingredientes funcionais através de encapsulamento e microemulsão. Colaborou com empresas como Clun, LIDL e BreadFree.
Diálogo entre indústria e universidade
Durante a mesa redonda “Novos desafios na indústria alimentar e oportunidades de colaboração com a UVigo”, empresas como Granja Campomayor e Esteo Innova, juntamente com investigadores do IAA, abordaram desafios comuns e possibilidades de colaboração.
As empresas destacaram a necessidade de se adaptar às regulamentações, responder às demandas dos consumidores e integrar automação e robótica nos seus processos. Do âmbito académico, foi apontada a importância de equilibrar inovação com aceitação sensorial, aproveitar subprodutos industriais, superar barreiras regulatórias e melhorar a comunicação com o consumidor desde tenra idade.
Quanto à experiência colaborativa, a Granja Campomayor reclamou maior proatividade do pessoal investigador, enquanto a Esteo Innova destacou as dificuldades económicas e de prazos que as empresas enfrentam. Os investigadores, por sua vez, destacaram a falta de recursos humanos dedicados aos serviços empresariais e a pouca visibilidade dos doutoramentos industriais.
Entre as propostas para facilitar a colaboração, foram formuladas:
- Melhorar a visibilidade dos serviços OTRI
- Criar uma plataforma comum de alertas tecnológicos
- Atualizar e divulgar continuamente um portfólio de serviços
Além disso, as instituições foram instadas a aumentar os recursos financeiros e humanos destinados a este tipo de iniciativas.
Atividades complementares e conclusões
O evento incluiu também uma mini feira de protótipos de produtos alimentares desenvolvidos pelos grupos de investigação em colaboração com empresas, uma visita à planta piloto do campus e uma degustação de azeites galegos. Além disso, foram facilitadas reuniões bilaterais entre investigadores e empresas, tanto presenciais como virtuais, para explorar possíveis sinergias.
Este evento, enquadrado no projeto europeu Net4Food, representou um passo fundamental para visibilizar o potencial do Campus de Ourense como parceiro estratégico na promoção da inovação alimentar na Eurorregião Galiza-Norte de Portugal.